Um movimento harmonioso só é realizado quando o conjunto que o promove está em sintonia. A Psicomotricidade, ciência do equilíbrio humano, atua justamente na busca desse equilíbrio. Para a professora de Educação Física, pedagoga e psicomotriscista Cacilda Gonçalves Velasco, a água – elemento intra-uterino, cujo contato com o corpo não promove lesão – *é um elemento facilitador de aprendizagem*.

Na Escola Flechinha, localizada em São Paulo, a profissional coordena um trabalho específico na área de desenvolvimento psicomotor da criança através da natação. Uma equipe multidisciplinar atende casos que vão da dificuldade de aprendizagem, como pó exemplo a falta de concentração aos mais diversos tipos de lesões físicas e mentais (como paralisia cerebral). O aprendizado da natação não é um fim, mas uma conseqüência. O objetivo principal é contribuir para a melhoria do desempenho global do paciente. O trabalho, além de ser totalmente individual, exige um contato permanente com a equipe de profissionais que atendem o paciente, como fisioterapeutas, médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos.

BENEFÍCIOS

Uma anamnese de cada caso define o tipo de tratamento a ser desenvolvido. Normalmente, ele é iniciado com um relaxamento muscular. A partir daí, com o corpo em alerta, são propostos uma série de movimentos. São exercícios passivos, nos quais é fornecido auxílio para a sua realização, até que as mesmas possam ser feitos de forma independente e inseridos num processo global associados a outros movimentos. Conscientizar o paciente a respeito da sua respiração é primordial, pois na água não basta que isso seja apenas um processo inconsciente. *Em alguns casos, as contrações musculares impossibilitam a conscientização sobre a respiração*, explica a psicomotricista.

Entre os principais benefícios do trabalho psicomotor na água, Cacilda aponta a descontração muscular, a maior conscientização sobre o corpo, o alívio do stress e o aumento da ato-estima. Além disso, ele pode promover a facilitação do trabalho fisioterápico. *Nós não substituímos o trabalho do fisioterapeuta. As duas coisas se completam*, frisa. Não há limite de idade para o tratamento: o trabalho pode ser desenvolvido tanto com bebês (a mãe entra junto na água), como com idosos.

Ao analisar a prática da natação de forma geral, a psicomotricista adverte para os riscos da falta de critério. *Muitas vezes, as condutas dos profissionais não respeitam as limitações dos alunos. Pede-se que vários alunos façam o mesmo exercício, quando o ideal seria cada um fazer um, respeitando-se assim os limites de cada indivíduo*.

[ssba]

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